GSK e FAPESP inauguram Centro de Pesquisa no Butantan

O Centro de Excelência para Descobertas de Alvos Moleculares (Center of Excellence in New Target Discovery – CENTD), uma parceria entre o Instituto Butantan, a farmacêutica britânica GSK e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) foi inagurado em São Paulo, no dia 21 de julho.  O objetivo do CENTD é identificar alvos moleculares e vias de sinalização envolvidas em doenças de base inflamatória, como a osteoartrite, a artrite reumatóide, câncer e doenças neurodegenerativas.

Para a identificação destes alvos moleculares estão sendo usados venenos, toxinas, moléculas isoladas de diversas secreções animais bem como seus derivados peptídicos. A descoberta de novos alvos e sua validação pode abrir caminhos para o desenvolvimento de novos medicamentos.

A parceria foi firmada no final de 2015 por um período de cinco anos , e ao todo, a companhia irá aportar  de R$ 11,3 milhões no CENTD, ampliando os seus esforços globais em pesquisa científica. A iniciativa faz parte do projeto “Trust in Science” da GSK, que foi criado com o objetivo de incentivar a pesquisa científica em países da América Latina. Somente nos últimos quatro anos, a companhia já aportou mais de R$ 15 milhões em outras iniciativas de pesquisas no Brasil, através do programa.

“O CENTD vai estimular o avanço da pesquisa básica e aplicada, com equipamentos de alta tecnologia e bioinformática. Além disso, este tipo de parceria é de extrema importância, uma vez que promove o intercâmbio de experiências, transformando conhecimento em retornos úteis para a sociedade, que é o nosso maior objetivo”, afirma Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan.

O Centro de Excelência em parceria com a GSK segue as normas do Programa FAPESP de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) e dos Centros de Pesquisa em Engenharia apoiados pela Fundação, para a realização de pesquisas de longo prazo com empresas, o que possibilita a geração compartilhada de conhecimento em áreas de interesse comum, com grande potencial para aplicação de resultados.

O projeto teve aporte financeiro de R$ 24 milhões. A FAPESP investiu R$ 12,7 milhões e a GSK R$ 11,3 milhões para compra de equipamentos, reagentes e contratação de pós-doutorandos. Em contrapartida, o Instituto Butantan fornecerá, ao longo de cinco anos, toda a infraestrutura e os recursos humanos para a efetivação da pesquisa, o que equivale a aproximadamente R$ 33 milhões.

“O CENTD, apoiado pela GSK e pela FAPESP, demonstra a capacidade para pesquisa avançada existente em São Paulo. O Instituto Butantan, que tem décadas de dedicação à pesquisa básica e aplicada competitiva mundialmente, soube constituir uma base de conhecimento que o faz valioso pela qualidade das ideias e de suas aplicações para o bem-estar dos brasileiros. A interação com a GSK, durante todo o processo de seleção e, agora, no apoio ao Centro, tem sido muito efetiva, pelo fato de a empresa conhecer e valorizar a ciência e ter objetivos de pesquisa com ousadia e potencial de impacto internacional”, explica Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

Para Isro Gloger, diretor do Programa Trust in Science da GSK, o Centro é um verdadeiro reflexo da excepcional parceria público-privada que a GSK estabeleceu com a FAPESP no Brasil.

“Esta parceria apoia o excelente nível científico que existe no país e, em particular, as novas abordagens que o Instituto Butantan pode aplicar à descoberta de um novo alvo de relevância na área de Imunoinflamação, que promissoramente, abrirá caminho para o desenvolvimento de medicamentos inovadores para tratar doenças”, afirma Gloger.

A coordenação do CENTD é da pesquisadora do Instituto Butantan Ana Marisa Chudzinski-Tavassi.

Pesquisa e Desenvolvimento

O CENTD já está desenvolvendo pesquisa de forma integrada, com a colaboração de vários pesquisadores. São seis linhas principais de pesquisa que se desdobram em outras, envolvendo cerca de 35 pesquisadores.

Para isso, foram adquiridos equipamentos de alta performance que permitem ensaios de alto impacto, desvendando fenômenos celulares importantes para a identificação de estruturas responsáveis por diferentes fenótipos.

Entre eles, está o equipamento High-Content Screening (HCS), que além de possibilitar um screening de moléculas de interesse, de forma rápida, avalia fenótipos, em modelos pré-definidos, de forma multiparamétrica. É possível, por exemplo, verificar como as células migram – informação extremamente importante para o tratamento de câncer.

A informação gerada por meio desta pesquisa pode ser utilizada pela indústria farmacêutica para desenvolvimento e produção de novas drogas.

Sobre a GSK

Uma das indústrias farmacêuticas líderes do mundo, a GSK está empenhada em melhorar a qualidade da vida humana permitindo que pessoas façam mais, vivam melhor e por mais tempo. Para mais informações, visite www.gsk.com.br

Sobre o Butantan

O Instituto Butantan é o principal produtor de imunobiológicos do Brasil, responsável por grande porcentagem da produção nacional de soros hiperimunes e grande volume da produção nacional de antígenos vacinais, que compõem as vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações – PNI, do Ministério da Saúde. As atividades de desenvolvimento tecnológico na produção de insumos para a saúde estão associadas basicamente à produção de vacinas, soros e biofármacos para uso humano. Sua principal missão institucional é, portanto, atender às demandas primordialmente voltadas para a saúde pública, contribuindo com o Estado no contínuo esforço de prover o bem-estar da população. www.butantan.gov.br

Sobre a FAPESP

A FAPESP é uma instituição pública com a missão de apoiar a pesquisa e o desenvolvimento científico e tecnológico no Estado de São Paulo, a partir da seleção de projetos de investigação em todas as áreas do conhecimento, apresentados por pesquisadores ligados a instituições de ensino superior e pesquisa em São Paulo, feita com base na revisão por pares (peer review), metodologia que utiliza pareceres emitidos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros não vinculados à Fundação. Em 2016, a Fundação desembolsou R$ 1,137 bilhão para apoio a projetos de pesquisa científica e tecnológica. Mais informações em www.fapesp.br